NIMIUM NE
CREDERE COLORI
Museu de
Évora
Exposição
Individual
23
de outubro de 2010 a 19 de Fevereiro de 2011
«Non novo,
sed nove» é a expressão latina que significa «não coisas novas, mas de nova
maneira», ou seja, a ideias já dadas e conhecidas pode dar-se uma nova forma.
A exposição que Rui Macedo instala no seio da
colecção permanente de pintura do Museu de Évora, intitulada «Nimium ne
credere colori», toma a expressão «Non novo, sed nove» como um
paradigma. Nas 27 pinturas instaladas em sete salas do museu, participam
regimes intertextuais específicos, a saber: a citação, a apropriação e a alusão
que, usados como estratégias de camuflagem, se aliam a conceitos como o mise-en-abîme
e o mise-en-scéne para estruturar todo o modus operandi. Também a
especificidade da montagem museológica e a informação de carácter técnico
indispensável ao museu são utilizadas para a abertura de um campo dialógico
entre as obras da colecção de pintura e as de Rui Macedo. Dentro da história da
Pintura, o artista exalta o elo entre passado e o presente. É de sublinhar que
todo este trabalho criativo tem a sua fonte num exercício metafórico
ininterrupto onde o «novo» é claramente de ordem mitológica pois o que se
apresenta e o que se representa é sempre «uma nova forma» do já dado.(Margarida P. Prieto, in Catálogo da exposição)

Vista de Memento mori, 2010, óleo s/tela, 58x77cm
Vista de Vista da sala com
a pintura Nossa Senhora da Graça, Santa Julita e S. Guerito,
2010, óleo s/tela, 189X159cm, instalada na sala 1
Vista da instalação na sala 1
Vista de A partir de S. João em Patmos de Poussin #2,
2010, óleo s/tela, 170X107cm,
instalada na sala 2
Vista de A partir de S. João em Patmos de Poussin #2 e Memento mori
instalados nas salas 2 e 1, respectivamente.
Vista da instalação na sala 3
Vista da instalação na sala 3
A Árvore da Vida 2010,
óleo s/tela, 233X157cm + 173,5X157cm (díptico vertical)
Vista de A Árvore da Vida instalada na sala 3
«(...) uma moldura
uma permanência
descritiva;
uma envolvência
delimitadora;
um falso existente;
um traço que engana
com as volumetrias do pintor;
uma dolência de
querer fazer não perguntada;
um contraste entre a
geometria das linhas e o criativo do volumétrico;
uma cor espessa que
se deixa olhar;»
Excerto do texto de
catálogo Quatro perspectivas, uma moldura, muitas palavras de António Camões Gouveia
Vista de Nascimento, 2010,
óleo s/tela, 197X132cm + Calvário, 2010,
óleo s/tela, 197X132cm, instalados na sala 4
Vista de Nascimento, 2010, óleo s/tela, 197X132cm + Calvário, 2010, óleo s/tela, 197X132cm, instalados na sala 4
Vista de Da série: Os Géneros da Pintura – Paisagem, 2007, óleo s/tela, 390X195cm,
instalada na sala 5
«A instalação
«Em homenagem a Ilya e Emília Kabakov ou para uma
ampliação da experiência no e do espaço museológico» de Rui Macedo coloca o espectador perante nove
pinturas alinhadas que se oferecem ao olhar enquanto «vistas parciais» de
supostas paisagens, referenciadas na história da pintura. Esta instalação
pictórica é uma experiência, no sentido filosófico do termo referido por
Lacoue-Labarthe
, ou seja,
a experiência enquanto travessia perigosa, reencontro dentro da soma não
mensurável dos acidentes do acaso, interesse recíproco, troca que faz qualquer
coisa, que abre para um risco imenso. Há nela um atravessar a fronteira das
convenções em direcção ao campo do ensaio, para abordar, tanto a instalação
pictórica como a própria pintura, fora do campo do esperado, ampliando e
alimentado, assim, a expectativa.
As pinturas são vistas parciais de outras pinturas. «Vista parcial»
trata-se de um termo técnico de cariz arquitectónico que refere um corte, uma
selecção, o enfoque de uma parte em detrimento de outras. Embora cada uma das
pinturas, bem como o conjunto das nove, surja numa aparente incompletude pela
referência ao corte (evocativo de uma falta) a instalação está formalmente
completa. Esta incompletude é intencional e produz um desafio: pela imaginação
a moldura recupera o que nunca perdeu: a sua integridade e o seu sentido
primeiro de criar uma selecção e abrir o seu próprio espaço (sagrado). As
imagens completam-se enquanto paisagens justamente porque na falta «do resto»
podem tornar-se infinitamente profundas, incomensuravelmente amplas e, neste
sentido, extrapolam espaço expositivo, ampliando-o: o chão de madeira do museu
torna-se plataforma elevatória imaginária e, na promessa de uma continuação da
instalação no piso imediatamente inferior, o observador/ visitante fica
novamente na expectativa de mais. Mais pintura. Mais Museu.» (Margarida P.
Prieto, in Catálogo da exposição)
Lacoue-Labarthe, Philippe, Ecrits sur l’art, Les
presses du réel, Collection mamco, Genève, 2009, p.III.
Homenagem a Ilya e Emília Kabakov ou para uma
ampliação da experiência no e do espaço museológico, 2010, óleo s/tela, 51X146cm
Vista de Homenagem a Ilya e Emília Kabakov ou para uma ampliação da experiência
no e do espaço museológico, instalada na sala 6
Vista de Homenagem a Ilya e Emília Kabakov ou para uma ampliação da experiência no e do espaço museológico, instalada na sala 6
Vista de Homenagem a Ilya e Emília Kabakov ou para uma ampliação da experiência no e do espaço museológico, instalada na sala 6
Vista de Sob Cogito Mori
de David Teniers II (o novo)
2010, óleo s/tela,
55,5X64cm, instalada na sala 7
«O pintor que joga (...) terá de ser também o título
desta exposição/instalação no Museu de Évora, em que o autor teve à sua
disposição, pela primeira vez, uma colecção de pintura que se estende por três
séculos e que lhe permite uma série de revisitações da História. Da História da
Pintura, no seu tempo áureo do «quadro-janela», tal como ficaria definido por
Alberti, e dos modos de pintar dos distintos tempos e estilos cronologicamente
atravessados desde então e quase até hoje. (...)»
Excerto do texto de catálogo Rui Macedo, Pictor Ludens... de Fernando António Baptista Pereira